sábado, 7 de janeiro de 2012

Choro

A solidão das nuvens
lá no alto,
tristes, cinzas
ah, se ao menos chovesse

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Se eu me deprimo é porque eu tenho uma felicidade tão grande, mas tão grande, que eu quero dividi-la com o mundo e não consigo. Silêncio, passividade, trabalho, trabalho, trabalho, seriedade. Não ser ouvido dói, e muito. Mas talvez o que mais doa, é saber que o leitor neste momento concorda com o meu texto, e é justamente dele que eu estou falando mal.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tentei ter calma e paz...
Agora entendo. O caminho de um sábio é o da inveja, da raiva, da força. Isso tudo junto, com uma boa dose de compaixão e consciência nos tornará definitivamente o que nós somos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O meu maior talento reside na capacidade de admitir o pouco talento que tenho, e conquistando e decifrando, lentamente e pacientemente esse pouco, conhecê-lo ao ponto dele tornar-se algo. Ser algo, ter algo. Isso sim, é raro.
Ele não gostava da solidão, mas o que ia fazer? Ou a abraçava ou trairia a si mesmo.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bom humor!


"A mim me parece que a razão tem de mandar sobre a vontade. Isto parece ser a coisa mais fria e mais forte que se pode dizer. Mas creio que somos racionais, e temos a obrigação de ser racionais, e de não nos deixar levar, jamais, pelo instinto. Ou seja, recuso-me a chorar, a ficar insatisfeita, deprimida. Ah, mas a depressão existe... sim. Pois sim... mas tomamos uns comprimidos e vamos trabalhar, ponto. Sou a favor dos fármacos. Ouve, uma vida inteira a sofrer com dores, quando agora temos fármacos que nos ajudam e vêm uns quatro gurus dizer: Não... é que fazem mal! Não, o que faz mal é passar mal! Temos que desdramatizar sobretudo nós, os privilegiados. Eu não posso estar e não me posso dar ao luxo de estar desesperada, nem sem esperança, nem triste, porque tenho tudo. E mais, tenho, inclusivamente, força para combater, que é o maior privilégio!"

Pílar, esposa de José Saramago.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Felicidade.

A pior falta de compostura que eu observo por aí é gente feliz. Gente feliz a todo instante e a todo lugar. Sorrisos belíssimos, aplacados em dentes fortes expostos timidamente entre lábios leves compostos de uma dança lunar minguante. Quanta pompa. Parece-me, frequentemente, que de tanta gente feliz, a felicidade deve estar sufocada, usada demasiadamente a todo instante e por qualquer motivo. Um celular novo, um sapato novo, um livro novo. Outro livro, outro celular, e mais uma cerveja com aqueles amigos de dez anos de convivência. Super amigos, gente super feliz também. A pior falta de compostura. Falta de compostura porque esse comportamento aniquila aquilo que há de mais valioso no gênero humano: a compaixão. Altruísmo e compaixão são sentimentos inúteis numa sociedade feliz. Quem irá precisar deles? Aqueles teus super amigos felizes? Não, que é isso, eles são tão para cima, não são desse tipinho não. Superam tudo! E eu, que sempre assumi um tom meio melancólico, me sinto agora tão sereno por contemplar uma felicidade rica, uma felicidade que gente feliz não sente, que é preciso ter sentido a vida alfinetar o coração para fazer brotá-la. E isso me dá uma alegria tão grande, que eu me embriago de esperança de encontrar algum ser humano remanescente nesse planeta, e falar a ele desse sentimento tão divino que é a compaixão, e perguntá-lo se ele o conhece.