sábado, 30 de julho de 2011

Ansiedade

Bendito sejam os ansiosos, que sofrem com o coração rápido e aflito, e com o pouco ar que respiram e o medo tagalerante preso nos braços, costas e pescoço. Bendito sejam, uma vez quando agem, mostram uma força digna dos ascetas, que até Deus duvida. É que um dia tudo morre mesmo, mas resta a obra daquele crânio ali, recheado de vermes que cavam, e nunca encontram.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Graça plena.




Tenho fé no que desacredito

pelo mesmo motivo que não vale a pena a vida, e eu vivo.



Mãe distante, muda e impassível

quantos segredos foram escorridos por teu colo virgem sob vigília?

Ó senhora, em tua morada de sombras e silêncio,

ris,

se da excelente luz que irradias,

me calo em paz arrodeado?



Lágrimas são lágrimas,

e a vida é mais azul e verde e cor de rosa anil branca amarela

quando é o que é e não se exime.


Deus é um absurdo!

O acaso é um absurdo!

Viver é obra única dos autênticos,

arraigada à voz do pensamento

a lógica chora

em sua vacuidade.

Graça plena.




terça-feira, 26 de julho de 2011


Apenas os que sofrem são dignos do sentimento mais puro que há: a felicidade sem motivo, o lampejo fugaz que ilumina tempos duradouros de escuridão; que justifica para sempre a razão de existir, seja na esperança de outra colossal faísca ou em sua contemplação eterna, contida na memória.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Stalker


"Vivi muita desgraça. Tive muito medo e vergonha. Mas nunca me arrependi, nem nunca invejei ninguém. Foi o meu destino, a minha vida... A gente é assim. Mesmo sem as desgraças, a nossa vida não teria sido melhor. Teria sido pior. Porque, nesse caso, não haveria felicidade. Nem esperança."

- Andrei Tarkovsky.

Fica aí a sabedoria do maior mestre do cinema. Que a fé do gênio nos guie, sempre.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um livro não tem origem nem fim.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Meditativo 2 (em andamento)

O silêncio tem sido minha auréola nestas quistas tardes definhando em gosto de noite fria, um doce negrume derramando o melaço de sua mudez delineada brilho por brilho, palidez estelar, altiva e impiedosa. Palidez distante. Palidez opaca. Silenciosa. Sofrear a alma.
Como pode a penumbra mergulhar num lago de miasmas pelos meus olhos cerrados (ou semi-cerrados, entreabertos espiões) e anuviar os sons da alma?
Deixar-se visto pela escuridão.
Shiiii
reticências
(...) engraçado. Um sorriso de albor sempre me surpreende à materialização do embrião que habita o hiato compreendido entre o pensamento e o som ausente do nada. É que silenciar absolutamente é sempre mirar a face do vazio em sua inteira infinitude e insondabilidade. E complacência também. Há sempre um tiquinho de graça nisso tudo, rs.
Não pensar em nada é sempre ter um pouco de idéia, só assim, unicamente deste jeito, se valida a vacuidade em sua travessa notoriedade.
Liberdade da mente é a corrente amarrada à grande pedra jogada às entranhas do oceano, onde se pode ler (sempre tem que ser ler ou falar algo): "estou livre, estou livre!". É percebida a tranquilidade, a plenitude, a expressão do ser na palavra "livre", uma aleivosia astuta e sem dúvida cruel para com os sentidos, para com o ser, pois ser não é semântica.
(pausa)

Almejo o ser além-semântico, em todo seu pensamento a-palavra.





Meditativo 1

O silêncio não é o gládio que degola a palavra e a mutila letra a letra, é antes o reconhecimento do próprio verbo, sua possibilidade infinita, a semente dourada de sua máxima existência. É preciso treiná-lo.