segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por cem vezes vivi
Por cem vezes morri
Por cem vezes tive medo
Por cem vezes gritei de medo
e por cem vezes gritei ao medo.
Por cento e uma vezes vivi,
e deixarei aqui um bom espaço de linhas
até que eu morra de novo.

Poesia é desejo
compreensão além texto
sacra ironia.
Desespero
Paralisia
Coração consumido pelo medo
Tímido passo adiante
instante feito:
euforia.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tenho e tive tantos medos. Medo de não ser aceitado pelos próximos por meus insucessos ou sucessos - porque tememos também a vitória, em algum lugar dentro de nós. Medo de mim , do que serei. É solidão, é fracasso, mágoa, peso é o que me aguardam? Amor, ah, amor. Tive tantas saudades de você hoje mais cedo. O amor padece... tive tanto medo de amar. Tive medo também de ter medo, e de tanto meeeeeedo que se prolonga no meu pensamento meditei na tentativa de não pensar. Tive medo de pensar, e pensei. Que covardia de minha parte pode parecer isso a vós leitores. Mas diria, com uma certa timidez, que hoje cedo compreendi com um sorriso largo ao sol das nove horas da manhã, que pareço ter vencido o maior dos meus medos. E não é que meu coração bateu mais forte de medo quando pensei nisso? Há de ser pensar que temos muito medo de vencer nossos medos. Tememos fracassos póstumos à coragem e ao sucessos. Tememos sobretudo, incrivelmente e traçoeiros, a esperança, por tudo de belo e bom que ela nos proporciona, e que pode-se perder. E agora, escrevendo ao som alegre do piano de Liszt, alimento meu coração de força à luz de tudo que emana alegria e efemeridade.

sábado, 30 de julho de 2011

Ansiedade

Bendito sejam os ansiosos, que sofrem com o coração rápido e aflito, e com o pouco ar que respiram e o medo tagalerante preso nos braços, costas e pescoço. Bendito sejam, uma vez quando agem, mostram uma força digna dos ascetas, que até Deus duvida. É que um dia tudo morre mesmo, mas resta a obra daquele crânio ali, recheado de vermes que cavam, e nunca encontram.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Graça plena.




Tenho fé no que desacredito

pelo mesmo motivo que não vale a pena a vida, e eu vivo.



Mãe distante, muda e impassível

quantos segredos foram escorridos por teu colo virgem sob vigília?

Ó senhora, em tua morada de sombras e silêncio,

ris,

se da excelente luz que irradias,

me calo em paz arrodeado?



Lágrimas são lágrimas,

e a vida é mais azul e verde e cor de rosa anil branca amarela

quando é o que é e não se exime.


Deus é um absurdo!

O acaso é um absurdo!

Viver é obra única dos autênticos,

arraigada à voz do pensamento

a lógica chora

em sua vacuidade.

Graça plena.




terça-feira, 26 de julho de 2011


Apenas os que sofrem são dignos do sentimento mais puro que há: a felicidade sem motivo, o lampejo fugaz que ilumina tempos duradouros de escuridão; que justifica para sempre a razão de existir, seja na esperança de outra colossal faísca ou em sua contemplação eterna, contida na memória.