sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tenho e tive tantos medos. Medo de não ser aceitado pelos próximos por meus insucessos ou sucessos - porque tememos também a vitória, em algum lugar dentro de nós. Medo de mim , do que serei. É solidão, é fracasso, mágoa, peso é o que me aguardam? Amor, ah, amor. Tive tantas saudades de você hoje mais cedo. O amor padece... tive tanto medo de amar. Tive medo também de ter medo, e de tanto meeeeeedo que se prolonga no meu pensamento meditei na tentativa de não pensar. Tive medo de pensar, e pensei. Que covardia de minha parte pode parecer isso a vós leitores. Mas diria, com uma certa timidez, que hoje cedo compreendi com um sorriso largo ao sol das nove horas da manhã, que pareço ter vencido o maior dos meus medos. E não é que meu coração bateu mais forte de medo quando pensei nisso? Há de ser pensar que temos muito medo de vencer nossos medos. Tememos fracassos póstumos à coragem e ao sucessos. Tememos sobretudo, incrivelmente e traçoeiros, a esperança, por tudo de belo e bom que ela nos proporciona, e que pode-se perder. E agora, escrevendo ao som alegre do piano de Liszt, alimento meu coração de força à luz de tudo que emana alegria e efemeridade.

sábado, 30 de julho de 2011

Ansiedade

Bendito sejam os ansiosos, que sofrem com o coração rápido e aflito, e com o pouco ar que respiram e o medo tagalerante preso nos braços, costas e pescoço. Bendito sejam, uma vez quando agem, mostram uma força digna dos ascetas, que até Deus duvida. É que um dia tudo morre mesmo, mas resta a obra daquele crânio ali, recheado de vermes que cavam, e nunca encontram.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Graça plena.




Tenho fé no que desacredito

pelo mesmo motivo que não vale a pena a vida, e eu vivo.



Mãe distante, muda e impassível

quantos segredos foram escorridos por teu colo virgem sob vigília?

Ó senhora, em tua morada de sombras e silêncio,

ris,

se da excelente luz que irradias,

me calo em paz arrodeado?



Lágrimas são lágrimas,

e a vida é mais azul e verde e cor de rosa anil branca amarela

quando é o que é e não se exime.


Deus é um absurdo!

O acaso é um absurdo!

Viver é obra única dos autênticos,

arraigada à voz do pensamento

a lógica chora

em sua vacuidade.

Graça plena.




terça-feira, 26 de julho de 2011


Apenas os que sofrem são dignos do sentimento mais puro que há: a felicidade sem motivo, o lampejo fugaz que ilumina tempos duradouros de escuridão; que justifica para sempre a razão de existir, seja na esperança de outra colossal faísca ou em sua contemplação eterna, contida na memória.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Stalker


"Vivi muita desgraça. Tive muito medo e vergonha. Mas nunca me arrependi, nem nunca invejei ninguém. Foi o meu destino, a minha vida... A gente é assim. Mesmo sem as desgraças, a nossa vida não teria sido melhor. Teria sido pior. Porque, nesse caso, não haveria felicidade. Nem esperança."

- Andrei Tarkovsky.

Fica aí a sabedoria do maior mestre do cinema. Que a fé do gênio nos guie, sempre.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um livro não tem origem nem fim.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Meditativo 2 (em andamento)

O silêncio tem sido minha auréola nestas quistas tardes definhando em gosto de noite fria, um doce negrume derramando o melaço de sua mudez delineada brilho por brilho, palidez estelar, altiva e impiedosa. Palidez distante. Palidez opaca. Silenciosa. Sofrear a alma.
Como pode a penumbra mergulhar num lago de miasmas pelos meus olhos cerrados (ou semi-cerrados, entreabertos espiões) e anuviar os sons da alma?
Deixar-se visto pela escuridão.
Shiiii
reticências
(...) engraçado. Um sorriso de albor sempre me surpreende à materialização do embrião que habita o hiato compreendido entre o pensamento e o som ausente do nada. É que silenciar absolutamente é sempre mirar a face do vazio em sua inteira infinitude e insondabilidade. E complacência também. Há sempre um tiquinho de graça nisso tudo, rs.
Não pensar em nada é sempre ter um pouco de idéia, só assim, unicamente deste jeito, se valida a vacuidade em sua travessa notoriedade.
Liberdade da mente é a corrente amarrada à grande pedra jogada às entranhas do oceano, onde se pode ler (sempre tem que ser ler ou falar algo): "estou livre, estou livre!". É percebida a tranquilidade, a plenitude, a expressão do ser na palavra "livre", uma aleivosia astuta e sem dúvida cruel para com os sentidos, para com o ser, pois ser não é semântica.
(pausa)

Almejo o ser além-semântico, em todo seu pensamento a-palavra.